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Sábado, Fevereiro 28, 2004
Pessoal: olha que legal essa declaração
Não duvido que o Ponto Deus exista.
Vejam bem.
Sua base empírica reside na biologia dos neurônios. Verificou-se cientificamente que a experiência unificadora se origina de oscilações neurais a 40 herz, especialmente localizada nos lobos temporais. Desencadeia-se, então, uma experiência de exaltação e de intensa alegria como se estivéssemos diante de uma Presença viva. Ou inversamente, sempre que se abordam temas religiosos, Deus ou valores que concernem o sentido profundo das coisas, não superficialmente mas num envolvimento sincero, produz-se igual excitação de 40 herz.
O que questiona é o discurso ideológico em torno do ponto.
Primeira pergunta: por que o batizaram de ponto Deus? Com certeza porque as pessoas submetidas ao teste acreditavam em Deus e por isso, interpretaram a experiência a partir de seu conjunto de valores.
Submetamos um índio ao teste: será que o ponto não passaria a ser o Ponto Tupã? E a um ateu? Acho improvável que um ateu, submetido ao teste, falasse de um ponto Deus. Eu, pelo menos, tenderia a falar de um ponto Cosmos, ou de um ponto Big-Bang.
O inverso também é verdadeiro. Sérá que quando assisto à Série Cosmos, do Carl Sagan, e me maravilho com a beleza do universo, não atinjo os 40 hertz?
Nós todos sabemos que uma estimulação do lóbulo temporal induz a uma sensação da haver alguém do nosso lado. Porque não batizar o ponto de Ponto Espírito?
Na minha opinião, esta sensação de completude pode, sim, ser uma adaptação evolutiva. Mas a chave seria nossa capacidade de nos maravilharmos, de nos sentirmos um com o cosmos, de onde, aliás, nós viemos. Somos feitos do pó de estrelas.
A existência do Porto Deus não prova a existência de Deus.
Prova apenas que determinadas pessoas que tiveram uma determinada experiência sensorial acreditam que tiveram uma experiência com Deus.
E a crença em um fenômeno não comprova a existência do fenômeno, mas apenas a existência da crença.
Marcelo Druyan
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posted by DAUBI PICCOLI 4:14 PM
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Terça-feira, Fevereiro 24, 2004
Leiam
Deus e a pesquisa com blastocistos
Andréa Bezerra de Albuquerque
Leio assustada as cartas de pessoas aos jornais, se mostrando contra as pesquisas com células-tronco embrionárias. E todas falam de preservar a vida do embrião! Que tal falarmos da vida das pessoas acometidas por doenças degenerativas?
Eu não posso imaginar que uma pessoa que defende a preservação de cem células congeladas já viu uma pessoa com esclerose lateral amiotrófica. Já viram?? Duvido! Porque isso as tornariam monstros, monstros que preferem matar adultos ativos até cinco anos, monstros que preferem ver um menino parar de respirar porque o diafragma perdeu totalmente a forma muscular. Esclerose lateral amiotrófica? Não, já estou falando de outra doença, chamada distrofia muscular de Duchenne.
Brasília é muito bonita e organizada, mas os deputados que disseram não à pesquisa nunca ouviram os cientistas, e jamais, isso eu tenho absoluta certeza, escutaram o relato de uma mãe, nunca viram uma criança com atrofia espinhal progressiva tipo I (aí está outra doença). E em nome de Deus disseram não às tão promissoras pesquisas.
Eu não sei o que eles imaginam que a comunidade científica queira fazer. Quando existe um processo de fertilização assistida, algumas células fecundadas são inseridas no útero da mãe. Outras, por serem malformadas ou pela quantidade inadequada, ficam congeladas ou são descartadas.
Estas células, congeladas e descartadas, são uma fonte de vida, não para uma nova vida, porque nunca serão inseridas no útero da mãe, mas para uma chance de nova vida a todas essas pessoas com doenças degenerativas. É isso que a ciência quer: as células, já chamadas de milagrosas. No Movimento em Prol da Vida (Movitae) nunca falamos que isso é a grande cura e ponto final. E é isso que magoa. Quem diz não a nós, diz não à possibilidade e significa tirar a esperança de tanta gente. E ninguém tem direito de tirar a esperança da gente.
Que Deus é esse o deles? Em nome de que Deus esses deputados das bancadas evangélica e católica vetaram a pesquisa com blastocistos sem nem ao menos saber o que é, como é feito e quem isso poderá beneficiar. Cabe ao Senado retificar o erro. Senadores, essa é literalmente uma questão de vida ou morte.
E a quem escreve aos jornais dizendo "não" à pesquisa, só posso pedir: evitem a ignorância, informem-se, conversem com as famílias, visitem as associações de doentes, saibam os os benefícios das pesquisas e fiquem ao nosso lado, que é o lado da vida, da saúde, da compaixão e da ética.
*Andréa Bezerra de Albuquerque é presidente do Movimento em Prol da Vida (Movitae) e conselheira da Associação Luca Coscioni. (Extraído daqui.)
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posted by DAUBI PICCOLI 4:43 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004
Oi pessoal!!! Olha só, estava devendo a homenagem aos professores de português; então, lá vai:
UM CONTO ERÓTICO NA LEGÍTIMA VERSÃO PORTUGUESA.....
Para quem gosta de Português é só se deliciar!!! Delícia de conto!!!!!
Inteligente, picante, bem humorado e, sobretudo, uma aula da língua mãe!!!!
Pena que não sabem a autoria.
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no
elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos
bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido,
feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado
nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um
sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e
filmes ortográficos.
O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém
ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a
perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as
reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o
substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo
depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se
movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do
substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou
o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética
clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um
hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando
ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu
forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os
vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu
ditongo crescente: se
abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria
entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era
vírgula: ele não perdeu o ritmo e sugeriu um longo
ditongo oral, e quem sabe, talvez, uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.
É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente
oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela
totalmente voz passiva, ele voz ativa.
Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez
mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo
do objeto, ia tomando conta dela inteira. Estavam na
posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito
agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande
travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele
tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se
encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica,
o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na
história. Os
dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o
edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto
adnominal.
Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo
absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com
aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada
vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo,
propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas:
enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo,
e culminaria com um complemento verbal no artigo
feminino.
O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois
dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na
história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou pela janela, e
voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo
feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
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posted by DAUBI PICCOLI 6:19 PM
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Domingo, Fevereiro 15, 2004
Imperdível. Leiam!!!
Diogo Mainardi / O ópio de Garotinho / Veja
"O cardeal Eugênio Sales garantiu que o ensino religioso
'coíbe toda sorte de violência'. Menos, é claro, a violência
praticada em nome da religião, responsável pelas piores
matanças da história"
Na França, na terça-feira, foi aprovada a lei que proíbe a
ostentação de símbolos religiosos nas escolas públicas. No
Rio de Janeiro, no mesmo dia, foi anunciada a publicação da
lista de aprovados para o cargo de professor de ensino
religioso nas escolas estaduais. São 500 professores,
divididos salomonicamente: 342 católicos, 132 evangélicos e
26 pertencentes aos demais credos. Cada um deles deverá
apresentar uma carta de credenciamento emitida por sua
autoridade religiosa, que poderá dispensá-lo da função a
qualquer momento, em caso de perda da fé. A autoridade
religiosa terá também a atribuição de definir o conteúdo
pedagógico das aulas de religião. O Estado do Rio de
Janeiro, portanto, abre mão de algumas de suas principais
prerrogativas: contratar, demitir e ensinar. Só não abre mão
de pagar. A catequese governamental será financiada por
todos os contribuintes, inclusive pelos ateus e agnósticos
que rejeitarem o ensino religioso.
A lei que estabelece o ensino religioso obrigatório foi
sancionada por Anthony Garotinho, a partir de um projeto de
Carlos Dias, apresentador da Rádio Catedral e membro da
Renovação Carismática. Atendeu à solicitação da cúpula da
Igreja Católica do Rio de Janeiro. O cardeal Eugênio Sales
garantiu que o ensino religioso "coíbe toda sorte de
violência". Menos, é claro, a violência praticada em nome da
religião, responsável pelas piores matanças da história. O
bispo auxiliar Filippo Santoro, por sua vez, afirmou que o
ensino religioso tem o poder de debelar a corrupção e a
miséria. No manifesto de apoio ao projeto de lei em questão,
o bispo auxiliar usou um argumento irrefutável para defender
o primado da autoridade religiosa sobre o Estado na escolha
dos professores: "Marx e Freud certamente ganhariam um
concurso público para o ensino religioso, mas as
instituições religiosas lhes negariam o mandato". Ou seja, a
Igreja Católica se orgulha de impedir que a rede pública
possa cometer o erro de contratar professores semelhantes a
Marx e Freud, por salários de 540 reais.
O princípio da separação entre Igreja e Estado acaba de ser
reafirmado pelos franceses. Em escola pública, a religião
não entra. Quer cobrir a cabeça com um véu? Quer usar um
solidéu? Quer pendurar no pescoço um crucifixo? Procure uma
escola particular de seu gosto. Lá o ensino pode ser
transmitido de acordo com o corpo doutrinário de sua
confissão. Ela pode até ensinar que a humanidade surgiu com
Adão e Eva. Pode até justificar a execução de hereges. Basta
que seus custos não sejam pagos com os impostos de todos os
contribuintes. No século XVI, católicos e protestantes
franceses, em fuga das guerras religiosas na Europa,
estabeleceram-se no Rio de Janeiro, fundando aquilo que
seria conhecido como França Antártica. Aplicaram-se, por
algum tempo, na obra de conversão ao cristianismo dos
tupinambás. De lá para cá, a França mudou, abandonando todas
as formas de proselitismo religioso, mas a França Antártica
continua a mesma. Ainda tentam nos converter. Ainda nos
tratam como selvagens.
http://veja.abril.com.br/180204/mainardi.html
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posted by DAUBI PICCOLI 6:52 PM
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Incrédulo

Pela liberdade total de expressão e aumento da intelectualidade neste país.
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